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Artigo: A Importância da Estimulação na Psicogeriatria

A Importância da Estimulação na Psicogeriatria

Ao longo do ciclo de vida o ser humano experiencia um processo de crescimento natural, dinâmico e progressivo durante o qual adquire e desenvolve competências que lhe permitem tornar-se num ser funcional e autónomo. Sendo o processo de crescimento irreversível o envelhecimento é comum a todas as etapas de vida e a partir da terceira idade podem surgir perdas das competências anteriormente ganhas que colocam em causa a independência do idoso e consequentemente da sua qualidade de vida. Se às alterações biológicas, psicológicas e sociais do envelhecimento consideradas normais e expectáveis adicionarmos alterações provocadas pela doença, deparamo-nos com idosos incapazes de satisfazer as suas necessidades mais básicas e por isso dependentes de terceiras pessoas para sobreviver.

Na Casa de Saúde de Santa Rosa de Lima existem unidades de internamento de psicogeriatria onde cuidamos de pessoas idosas com patologias do foro da saúde mental e psiquiátrica, nomeadamente processos demenciais. De acordo com o modelo hospitaleiro, prestamos cuidados de saúde diferenciados e humanizados, baseados na evidência científica e na visão global da pessoa assistida. As intervenções de estimulação são um exemplo dos cuidados prestados.

As intervenções de estimulação têm como principal objetivo melhorar a qualidade de vida da pessoa assistida, mantendo a sua autonomia, reduzindo o impacto da doença e as dificuldades do quotidiano. Estas intervenções visam ainda melhorar, manter ou evitar a deterioração brusca das funções cognitivas e manter a interação com o meio envolvente, melhorando o estado de saúde geral. As técnicas utilizadas são definidas após a avaliação global da pessoa assistida e são adaptadas às funções que visam estimular, aos défices que pretendem reduzir, ao estadio atual da doença e às preferências da pessoa assistida, tornando-se também numa fonte de satisfação. Estas técnicas são implementadas num ambiente estável e adaptado, criando rotinas que permitem promover a funcionalidade e a autonomia. As intervenções de estimulação conseguem ainda promover a segurança e reduzir a ansiedade, a tensão e a agitação.

Durante todo o ciclo de vida, a aquisição de novas competências é feita através do treino e da repetição. Neste contexto, o treino, a repetição e a rotina conseguidos através das intervenções de estimulação permitem não perder essas mesmas competências ou atrasar ao máximo a sua deterioração e diminuir o grau de dependência. Tudo isto se traduz em ganhos para a qualidade de vida da pessoa assistida e da sua família, aumento do tempo de vida com funcionalidade, autonomia e bem-estar.

 

Inês Lourenço de Matos

Enfermeira da Unidade São José

 

Bibliografia

Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, Carta de Identidade da Instituição, 2010.

Oliver James, Conviver com a Demência, 2008.

Carlos Sequeira, Cuidar de Idosos com Dependência Física e Mental, 2010.

James E. Spar; Asenath La Rue, Psiquiatria Geriátrica – Guia Prático de Medicina, 2005.

 



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