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O utente idoso institucionalizado: A importância da manutenção das relações com a família para um envelhecimento saudável

O crescente envelhecimento da população obriga-nos a refletir sobre diversas questões, nomeadamente como podemos contribuir na melhoria da qualidade de vida dos que nos rodeiam, estando institucionalizados. O envelhecimento, segunda a OMS, é o “prolongamento e término de um processo representado por um conjunto de modificações fisiomórficas e psicológicas ininterruptas à ação do tempo sobre as pessoas”.

A velhice é uma etapa de vida que se carateriza por diversos fenómenos de socialização, de construção identitária e de diversas alterações de papéis sociais (Pereira, 2008). Segundo o mesmo autor, citando Sousa et al (2004), o indivíduo, nesta etapa, está sujeito a um conjunto de “ruturas sociais: o abandono da vida profissional ativa e o corte das relações com os colegas e amigos, perda de alguns familiares e amigos de longa data, perda do cônjuge, perda de alguma independência financeira, perdas ao nível da saúde, entre outras. De um modo geral, as redes sociais diminuem de tamanho, concentrando-se nos familiares.”

Este processo de desconstrução e construção de novos papéis sociais é mais marcante em determinadas situações e circunstâncias da vida, como pode ser o caso da institucionalização de um idoso (Carrajo, 1999, citado Pereira, 2008).

A institucionalização de um utente idoso acarreta, assim, uma adaptação por parte do utente, que se torna especialmente difícil tendo em conta a diminuição de competências de adaptação nesta fase do seu ciclo de vida Baltes & Smith, 1997). Neste estágio o essencial é a manutenção da integridade do Eu, ou seja, a manutenção, na medida do possível, dos diferentes papéis sociais, evitando a desesperança (Lopes, 2001, citado por Pereira, 2008).

Segundo Pereira (2008), é fundamental na institucionalização de idosos a manutenção das relações familiares para que o processo de envelhecimento se dê de forma saudável nestes utentes.

É indiscutível a importância da família no processo de envelhecimento, já́ que a afetividade ocupa um lugar especial nas nossas vidas. Considerar a importância da convivência pode ser uma forma de desenvolver e manter equilíbrio afetivo entre o idoso e sua família (Espetia e Martins, 2006).

 

Podemos assim dizer que na institucionalização de um idoso é importante a manutenção de um rotina social afetiva, ou seja, é importante que os  familiares continuem a fazer parte da rotina diária dos seus ente queridos idosos, através de visitas regulares, a fim de manter a qualidade de vida até ao fim de vida.

 

Bibliografia:

- Espitia, Alexandra Zolet e Martins, Josiane de Jesus, Relações afetivas entre idosos institucionalizados e família: encontros e desencontros (Arquivos Catarinenses de Medicina). Vol. 35, 1, Florianópolis – SC, 2006.

- Pereira, Fernando, A importância da manutenção das relações familiares para o idoso institucionalizado. Revista Transdisciplinar de Gerontologia, II: 1, p. 6-10, Universidade Sénior Contemporânea: Bragança, 2008.

 



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